Uma coisa que percebi assim que comecei a pensar em investir aqui nos EUA é que a pergunta “onde eu invisto?” não tem uma resposta única. Ela muda completamente dependendo de uma pergunta que vem antes: você veio pra ficar ou veio pra fazer dinheiro e voltar pro Brasil?

Quem decide ficar por aqui — com green card ou não, mas com plano de vida nos EUA — costuma focar nas contas de aposentadoria americanas, que têm bastante benefício fiscal: o 401k, que só existe se o empregador oferecer, e o IRA ou Roth IRA, que dá pra abrir mesmo sem 401k, só precisando de renda comprovada e de SSN ou ITIN. Fora isso, entra corretora americana tradicional pra ETFs e ações, e claro, comprar casa própria quando o crédito permitir — que ainda por cima ajuda a construir ainda mais histórico. A vantagem de quem fica é simples: ganha e gasta na mesma moeda, sem ficar refém do câmbio.

Já quem está aqui de passagem, pra fazer dinheiro e voltar, a lógica é outra. Travar dinheiro numa conta de aposentadoria tradicional pode sair caro, porque sacar antes dos 59 anos e meio pega multa de 10% em cima do imposto normal. Se for usar mesmo assim, o Roth costuma compensar mais, porque você paga o imposto agora e não paga nada na saída. Mas o caminho mais comum pra esse perfil é usar corretoras que fazem a ponte entre os dois países, tipo Avenue, Nomad ou Wise — cada uma com um público: Nomad mais prática pro dia a dia, Avenue com mais suporte de investimento, Wise mais afiada só na conversão de câmbio.

Um detalhe que eu não sabia e que faz diferença direto no bolso: o IOF muda dependendo de como você classifica a remessa. Se for caracterizada como investimento, a alíquota fica em 1,10%. Se cair em “outras remessas” — manutenção, moradia, e por aí vai — sobe pra 3,5%. Ou seja, declarar certo o motivo da remessa já economiza mais de 2% do valor que você manda.

No fim das contas, antes de sair perguntando em que investir, vale parar e responder a pergunta que vem antes: eu vou ficar ou vou voltar? Essa resposta muda o caminho inteiro — e vale lembrar que eu não sou consultor financeiro, isso aqui é o que venho estudando e aplicando na prática, então sempre bom confirmar os detalhes do seu caso com um especialista.

E antes de pensar em investir qualquer centavo, o primeiro passo continua sendo o mesmo: saber exatamente quanto sobra no fim do mês. Foi por isso que comecei a usar a Planilha de Controle de Gastos, pra descobrir quanto eu realmente tinha disponível pra guardar e investir — CLIQUE AQUI PARA CONHECER A PLANILHA

4 respostas

  1. […] Uma regra de bolso bem usada por autônomos é separar entre 25% e 30% de cada pagamento assim que ele cai, numa conta separada que você não mexe. Não é um cálculo exato — depende da sua renda, das suas deduções e do seu estado — mas é uma margem que costuma cobrir o imposto e ainda deixar alguma sobra. Se no fim sobrar, ótimo: vira reserva ou investimento (falei sobre isso no post onde investir sendo brasileiro nos EUA). […]

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  2. […] Aí sim é hora de fazer o dinheiro trabalhar pra você. O caminho muda bastante se você pretende ficar nos EUA ou voltar pro Brasil, e eu expliquei os dois cenários no post onde investir sendo brasileiro nos EUA. […]

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  3. […] ainda não sabe se faz sentido travar dinheiro numa conta de aposentadoria americana, volte no post onde investir sendo brasileiro nos EUA: a resposta muda se você pretende ficar ou voltar pro […]

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  4. […] E aqui volta a lógica do post onde investir sendo brasileiro nos EUA: […]

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